Pandemia desnorteia políticos, que já vivem caos eleitoral em Goiás

Momento é de (in)definição, o que quer dizer que as pedras estão se movendo no tabuleiro

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Como colocar de pé um projeto político em pleno crescimento de casos de COVID-19?

Não é só o embate entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente da República, Jair Bolsonaro, que chama a atenção sobre o uso da pandemia para garantir o poder nacional.

No chamado chão de fábrica, ou seja, em cada município brasileiro, há uma disputa em curso.

Uma disputa com muito de caos e pouco de espírito público.

Boa parte dos prefeitos tem mostrado com suas ações que sabem de menos o que estão fazendo, e isso quando estão fazendo algo em favor de sua população. Os fatos que saem do noticiário mostram que na maior parte das vezes prevalece o espírito de torcida somado a um precário cenário que vai da omissão ao atendimento em postos de saúde ou hospitais desaparelhados.

Certo que a população não responde aos apelos, preferindo ouvir o negacionismo ou a retórica mortal do presidente. Porém o empenho contra isso é o do mínimo esforço possível, com poucas exceções. Na soma das tragédias prevalece o discurso de que minha parte foi feita, sua parte malfeita é que te matou ou matou o infeliz que se foi. Infelizes, às vezes.

A torcida é saber quem é Bolsonaro e quem não é. Quem não só defende mas pratica o isolamento, o estímulo ao uso de máscaras, a vacinação, e quem simplesmente despreza ou desmerece tudo isso.

A torcida? O ato de fé.

O que político nunca querem verdadeiramente é estar do lado da torcida menor.

Tomar decisões desagradáveis ao gosto público, que apesar disso privilegiam a vida em vez do risco de morte, não faz um político popular.

Neste momento, em Goiás, o governador Ronaldo Caiado toma decisões que provocam reações apaixonadas de lado a lado. Quem concorda, aplaude. Quem não concorda, xinga.

Como isso vai se refletir na eleição do ano que vem? Caiado deve tentar a reeleição. E aí, vai ser bom ou ruim o que ele tem feito?

O espírito público impõe que esse tipo de questão não importa. Um político que realmente se importa com a população, no caso os eleitores, tem que ser maior que as disputas eventuais, ainda que seja fato que todas as ações de um governante implicam consequências eleitorais. Ter alma de estadista, pode-se dizer.

Em outra ponta, o que faz a oposição? A oposição não faz nada porque neste momento nem oposição Goiás tem.

Vivemos o caos político no Estado. Sem Iris Rezende e sem Marconi Perillo, que lideraram forças que se enfrentaram nos últimos anos, a situação é de desagrupamento total das forças, melhor, fraquezas menores.

A arrumação da nova ordem política está em andamento. (E talvez isso explique a falta de oposição, com consequente fortalecimento de Caiado como perspectiva de continuidade de poder. Enfim.)

Nesse ambiente, temos não só um governador tomando decisões pouco populares e atropelando prefeitos e políticos mais desnorteados, mas agindo parte das vezes em conjunto com potenciais adversários, a oposição que não se estabelece.

Os potenciais, neste caso – como Gustavo Mendanha (prefeito de Aparecida se Goiânia) e Rogério Cruz (prefeito Republicano de Goiânia, eleito via MDB), ou Daniel Vilela, presidente do MDB -, vira e mexe estão lado a lado de Caiado.

Na defesa do interesse público, não cabem inimizades ou disputas eleitorais. Correto. Na corrida eleitoral, quem erra menos leva.

Ocorre que essa maçaroca de fatos e indecisões e inabilidades e possibilidades abertas pelo ajuste de grupos e forças acaba também por confundir as coisas quando o olhar é 2022, horizonte eleitoral mais urgente.

Por exemplo. Se Gustavo e Rogério representam a possível ascensão da candidatura de Daniel Vilela, presidente estadual do MDB, por outro suas constantes ações afinadas com o Estado acabam igualmente estimulando especulações a respeito de suas reais posições lá na frente.

Outro exemplo. Se o Patriota, de Jorcelino Braga, que foi o marqueteiro da eleição de Maguito Vilela/Rogério Cruz em Goiânia e é próximo de Daniel, agora tem candidato a governador, e não é Daniel, mas o ex-tucano Jânio Darrot (ex-prefeito de Trindade), como fica o MDB? E novamente: como ficará Rogério, com a morte de Maguito, lá na frente: com Caiado, com Braga ou com o MDB?

E o PSDB, sem Jânio e esvaziado de prefeitos e ainda com o peso do desgaste do ex-governador Marconi Perillo, tem futuro?

Henrique Meirelles vem para ser candidato a quê? Se ao Senado, qual o peso de sua definição por um ou outro grupo? E se não for candidato a senador?

Iris Rezende será candidato a senador? Mas aí o MDB…

Tudo somado, temos em Goiás o caos da reorganização das trincheiras políticas e temos o caos maior do imponderável: a pandemia e suas consequências.

O que esperar? Mais caos?

O ambiente social em Goiás e no Brasil é de convulsão, e o político, de total confusão.

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