domingo, julho 3, 2022
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O trem da História

A vida anda igual linha da estrada de ferro. O trem vem vindo sem freio nem porteira, e uns saltam pra direita e pra esquerda. Os que nem vão, nem são, ficam nos vãos dos dormentes. Na luta entre maniqueístas e maquinista, o céu é o chão, enfim. Quem habita o trem? Aonde vamos parar, nessa louca marcha sem direção?

Em Vianópolis, nos meus idos de criança, havia estrada de ferro e o lado de lá, com o campo de futebol cheio de pedras, e o lado de cá, com os dormentes amontoados para a manutenção do caminho. No meio, a gente passava, pulava, punha pedrinhas pra serem esmagadas, a gente se divertia na caminhada para a diversão. Não havia limite para a gente viver.

À esquerda dos trilhos, guerras entre os da rua de cima contra os da rua de baixo foram travadas de dia e amores sem fronteira foram praticados à noite com as meninas da Estação. À direita, outras guerras dividiram a nação vianopolina, ameaçaram a nossa humanidade, mas terminaram com nenhuma destruição física, apenas a moral adversária abalada.

Engraçado pensar nisso agora. A gente queria demais vencer uns aos outros. No entanto, o troféu não era a supremacia da raiva e do ódio, da nossa visão de mundo sobre os escombros alheios, e sim a afirmação do amor. Desse amor que dialeticamente nos divertia e que apaixonadamente nos unia. Era uma guerra vencida sem razão derrotada.

Eu pensava no futuro. Pensava em viajar, em conquistar universos e conhecer a Terra inteira. Sonhava. Com o quê mesmo eu sonhava? Com tudo que você possa imaginar, porque eu imaginava em verso, prosa, Bíblia e leis. Incrível como se pode ser livre ficando livre pra pensar, sem censura de conceitos, concepções ou deturpações da realidade. A verdade é que limite não passa de desordem do coração.

A vida hoje corre sem passado e sem futuro. De um lado, nos deprime; de outro, nos comprime. A máquina do tempo não nos salva. A máquina do tempo é esta viagem de trem sem sentido nestes tempos. Não podemos perder a fé no fim dos tempos. A esperança é a última que corre.

Vassil Oliveira
Vassil Oliveira
Jornalista, ex-secretário de Comunicação de Goiânia e presidente da Agência Brasil Central (ABC), consultor. Autor de ‘Eleição do Início ao Fim’, sobre campanha, com foco na disputa de 2006 para o governo de Goiás.

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