Política pode ser tudo, ou nada

Manifestar-se politicamente exige coragem.

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O ano era 2013. Larissa de Macedo Machado, hoje conhecida internacionalmente como Anitta, alcançava a fama no mercado musical. Simultaneamente, eu estava no auge dos meus 16 anos, cursando o terceiro ano do ensino médio, em uma escola do subúrbio de Aparecida de Goiânia (GO).

Me pergunto o que eu e Anitta tínhamos em comum naquele ano. Obviamente, a aptidão da cantora para a música e a dança, comparada à minha extrema falta de coordenação motora e desafinação, me causa a imediata sensação de que não havia absolutamente nada em comum entre nós, exceto a completa abstenção de posicionamento político.

Éramos jovens e vivíamos alheias ao debate cultural e político do país. Anitta confessou em entrevistas que achava política um assunto “muito chato”. Já eu, confesso que política sempre foi um tabu durante minha educação familiar e escolar, realidade que veio a mudar somente durante a graduação. Gostando ou não, política faria parte da minha rotina dali em diante. Gostando ou não, Anitta passaria a ser cobrada a se posicionar e seria capaz de ser influenciadora de opinião política e nos comportamentos do público que a acompanha.

Inicia-se então uma busca insaciável por conhecimento. Para a artista, questão de honra entender o tema para defender seus ideais perante o público nas multiplataformas e nos variados meios de comunicação que utiliza. Para a jornalista que vos fala, a necessidade de alcançar êxito na carreira profissional, além da vida pessoal, já que sou uma cidadã condicionada pela política. Mesma finalidade, objetivos distintos.

Em ambas as realidades, manifestar-se politicamente exige coragem, e devo admitir que Anitta têm mostrado muita. O mercado da opinião cresceu, mudou e foi ainda mais democratizado. E isso em meio às decisões e falas antidemocráticas ditas por homens e mulheres tidos como líderes governamentais. Tarefa dura e árdua, que a artista têm cumprido com devoção.

Quanto a mim, sigo firme em meu propósito de viver a política em todas as suas esferas. Sem medo. Sem amarras. Minha caminhada terminará apenas quando jovens como eu, aos 16 anos, entenderem que política não é apenas a parte chata do jornal que passa na televisão. Política pode ser tudo, ou nada. Nada a ver.