A corrida maluca por um ou uma vice na eleição para a Prefeitura de Goiânia

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A entrada de Sandro Mabel (União Brasil), candidato do governador Ronaldo Caiado (UB), para a disputa pela prefeitura em Goiânia ativou um movimento de fundo: a escolha do ou da vice. A discussão sobre vice tem força agora, nas negociações. Depois, costuma virar fato secundário, na campanha. Porém, há expectativa sobre o peso que terá nesta eleição a escolha do nome e perfil.

Na lembrança, estão a morte de Maguito Vilela no início deste mandato, deixando o mandato inteiro para seu vice, mal avaliado nas pesquisas, e a lembrança de Paulo Garcia, vice de Iris Rezende, também mal avaliado no final de seu mandato. Um vice bem escolhido gera fato positivo na hora e a vida segue; mal escolhido, vira pauta negativa e pode provocar desgastes internas, no partido ou aliança.

Romário Policarpo (PRD), Bruno Peixoto (UB) – um indicado por ele, que pode ser exatamente Policarpo -, Paulo Ortegal, Ana Paula Rezende (ambos MDB), Mayara Mendanha – esposa de Gustavo Mendanha -, Major Vitor Hugo (PL), ex-deputado federal. Estes são apenas alguns dos nomes que circulam nas conversas de bastidores. Circula também a possibilidade de o senador Vanderlan Cardoso, que queria Mabel de vice e ficou sem chão, desistir de ser candidato e indicar o vice de Mabel. Francisco Jr., ex-deputado federal e presidente da Codego, por exemplo.

Entre os governistas, o nome que cairia como uma luva e resultaria em pacificação imediata é o de Ana Paula Rezende. Mas ela disse que está fora da disputa. Volta? Mabel tem dito a interlocutores que sim. Mas ele tem também buscado o apoio do PL, oferecendo justamente a vice. A visão hoje é de que Gustavo Gayer não será candidato. O vice que emerge daí então é Vitor Hugo. Mabel, no entanto, tem outros planos. Quer uma mulher e que seja evangélica (como Ana Paula). Esta semana tem evento marcado do partido, em Goiânia, com presença de Bolsonaro. Mais elemento e momento para conversas e especulações.

Vanderlan Cardoso, desde que sofreu o golpe de misericórdia de Mabel e Caiado do lançamento de Mabel, saiu em busca de um alguém para chamar de quem, quem quer ser seu vice, quem quer ficar do seu lado. Nada. Ele sustenta que será candidato a prefeito, mas aliados seus buscam diálogo principalmente com o governo. Numa eventual negociação com Mabel, a dúvida é como ficaria, por exemplo, a situação de Senador Canedo. Lá, Vanderlan lançou a esposa, Izaura Cardoso (PSD), e o governador tem candidato, o prefeito Fernando Pelozzo (UB).

Se o vice de Mabel pode sair do PSD ou do PL, duas questões se abrem. Onde e como colocar no bojo de uma sonhada expressiva aliança, o Republicanos, atual partido de Mabel e do prefeito Rogério Cruz. Rogério insiste ser candidato à reeleição mesmo ouvindo de Caiado, definitivamente, que não terá seu apoio. E Mabel, embora saindo da legenda, tem laços fortes com o presidente nacional, Marcos Pereira, e com a presidente na Capital goiana, Sabrina Garcez. Republicanos banca Rogério? Contenta-se em ficar com Mabel sem lugar na chapa majoritária?

A outra questão é: e o MDB, fica sem vice? Aceita ficar fora da chapa para que Mabel negocie à direita e ao centro? Esta semana, com declaração de Mabel sobre possível nome sair do PL, o assunto mexeu com o brio de emedebistas nas redes sociais e grupos de conversas. O clima inicial de êxtase com a escolha de Mabel virou contestação e avisos de “não vamos aceitar”. Daniel Vilela, presidente da legenda e vice-governador, será o árbitro. Tarefa nada fácil.

A petista Adriana Accorsi não tem ninguém escolhido para vice. Trabalha nisso. Até dias atrás, ela esperava um nome indicado por Vanderlan, que desistiria da candidatura para apoiá-la. Nesse meio tempo, Vanderlan confirmou a candidatura, perdeu o vice, Mabel, que virou seu adversário, e entrou em um processo de revisão de sua estratégia. O mais provável é que continue negociando tanto a permanência quanto a desistência, na mesma medida.

A favor de Adriana e Vanderlan está a liderança nas pesquisas. Mabel nem era lembrado nas cartelas, portanto é, neste ponto, uma incógnita. Mas uma incógnita com estrutura e tempo – quase quatro meses até as convenções – para entrar no jogo e chegar perto dos ou alcançar os líderes. Como estará Vanderlan no momento das convenções? E Adriana? E Mabel? Isso terá peso e valor de troca – e venda.

E talvez seja este também o momento em que Rogério Cruz também colocará seu capital na mesa. Se tiver chegado lá como candidato. Partidos que correm por fora, como o PSDB, movimentam pouco o mercado da vice. Há mais curiosidade sobre o nome que estará ao lado de Matheus Ribeiro do que atenção a embates internos e combates com outras forças. Os tucanos estão decididos a levar adiante sua chapa.

PS: Aí vem o Mabel e diz que já tá bom demais pro MDB, que tem o vice-governador que vai assumir o governo e tal. Que sutileza! Mabel sendo Mabel.

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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