As diversões nas cidades do interior

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Nas cidades do interior, as opções de lazer nunca foram lá muito satisfatórias, tanto nos tempos mais longínquos quanto nos dias atuais. A população sempre se ressentiu de melhores oportunidades de divertimentos, não só para os jovens, como também para as crianças, os adultos, as famílias e os da terceira idade. E quando não se tem muita escolha, contenta-se com o melhor ou com o menos ruim daquilo que é colocado à disposição dos populares.

Quem da geração antiga não se lembra do “Vaivém”? Na minha cidade, cerca de 80 km de Goiânia, era assim: do lado de cima da rua ficava o Bar da Jandira; em frente, na esquina do terreno que foi ocupado pela Escola Luíza Viana, o Bar do Seu Adílio. Ambos bastante movimentados, especialmente nas noites dos finais de semana. Lá eram consumidos, dentre outros tantos produtos, cerveja, cachaça, picolé e sorvete de casquinha ou regado a capilé.

A amplificadora do Bar do Seu Adílio tocava músicas diversificadas, desde os sucessos da época até as mais românticas, solicitadas pelos casais apaixonados. Na noite de domingo, depois do jogo do time de futebol local, que tomava a atenção da cidade toda à tarde, era feita a narração dos gols da partida, seguindo-se os abalizados comentários dos melhores lances.

Porém o que mais atraía as pessoas eram as mesas de bilhar. Os jogadores faziam fila e jogavam normalmente formando duas duplas de cada lado. Agora, a quantidade de sapos que se aglomeravam em volta das mesas de jogo era qualquer coisa de impressionante. Davam palpites no jogo, irritavam os jogadores, casavam apostas e se tornavam inconvenientes… E em muitas das vezes o tumulto acabava em discussões e brigas feias.

Do lado de fora, entretanto, o vaivém. Quase não havia tráfego de veículos e por isso a rua ficava totalmente tomada pela presença e a euforia dos jovens que passeavam, em pares ou grupos, ocupando o trecho da rua principal que ia até a Praça, entre os estabelecimentos comerciais mais frequentados da cidade.

Os rapazes postavam-se enfileirados de um lado e do outro da rua, observando as moças que iam e vinham, desfilando como se estivessem numa passarela.

Era a oportunidade para se arranjar namorada, exibir roupa nova, um penteado diferenciado, a elegância do caminhado, a exuberância de uma pose mais convincente… Como também para reparar os defeitos dos outros, colocar em dia os fuxicos, e assim por diante. O vaivém funcionava como uma espécie de vitrine da cidade. Lá a gente conhecia as pessoas e a vida de todo o mundo da cidade.

Mudaram-se os tempos, os costumes, as pessoas, a cidade… Apenas a deficiência do lazer para a juventude não mudou.

Ah! Havia o cinema. Tratava-se de fonte lucrativa para os exploradores do ramo que faturavam em cima dos aventureiros chegantes e dos roceiros que permaneciam pasmos diante de tamanha novidade.

O fornecimento de energia elétrica era precário. Primeiro os apelidados “tomates”, que vinham da hidrelétrica da cidade vizinha e pouco auxiliavam na claridade das ruas; tempos depois, a do motor da Prefeitura, que era desligado impreterivelmente às 23 horas. Uma tortura. Mas era o que havia na época.

Os filmes vinham locados de Ribeirão Preto e faziam enorme sucesso. Os frequentadores eram em grande número, pois se tratava da única diversão de uma época em que ainda não havia televisão.

No entanto, convenhamos, o divertimento de maior popularidade em todos os tempos, e que apesar dos ataques sofridos permanecia vigoroso até então, sempre foi o baile ou pagode. Bastava uma sanfoninha pé de bode e um violão, para que a moçada dançasse até o dia amanhecer. Outras vezes, na falta de acordeão, o que aguentava o rojão eram a viola, o violão, o pandeiro e os cantadores.

Hoje é tudo muito diferente: aparelhos de som sofisticados, alta tecnologia, conjuntos musicais de primeiríssima qualidade, discotecas e tantas outras pluralidades.

Nos finais de semana, o vaivém durava até lá pelas dez da noite. Daí em diante os pagodeiros podiam escolher a que baile visitar, pois só na cidade realizavam-se três ou quatro, afora os da roça que às vezes eram até mais animados. Muitos deles mostravam-se respeitosos, promovidos em casa de família. Porém outros se apresentavam de baixo nível moral, razão por que as encrencas eram inevitáveis.

Elson Oliveira
Elson Gonçalves de Oliveira foi professor de Língua Portuguesa, é advogado militante e escritor, com vários livros publicados.
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