Desconfiado desde o berço

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Quando a vida não tá boa, aprendemos que o melhor é não contar para os outros porque a torcida contra, com toda sua carga negativa, vai fazer o que já está ruim, piorar. E quando a vida tá joia, melhor ficar calado porque senão atrai inveja e mau-olhado. É por ai que nos acostumamos a ficar desconfiados, sem nem perceber. Não tem diploma, não tem doutorado. Nessa escola, o curso é superior de sabedoria popular. Não custa nada conhecer.

Isso é bom, mas também deixa de ser. Bom porque evitamos criar expectativas demais em relação a fatos e pessoas. Deixa de ser quando não nos damos à sincera oportunidade de nos surpreender positivamente, por esperar surpresa tão somente negativa. Deixamos de ver o bom para prever apenas o contrário das pessoas. Nos tornamos céticos e incrédulos.

Conhece gente que chega ao ponto de duvidar que é um bem, o bem que recebe. “Aí, tem”, vão logo dizendo. E como a vida mostra mais fatos que revelam as intenções nada abençoadas, muito menos republicanas, vindas do próximo ou da próxima, ser reticente, alguém que nunca se contenta com um ponto ou uma vírgula, é o completamento vencedor. Os inocentes – como as crianças que vão direto para o céu, nas palavras de Cristo – são os bobos do mundo.

Não digo isso com revolta ou com dor no coração. É o que é. Tento não ser Maria-vai-com-as-outras? Tento. Como me esforço para salvar o mundo. Mas isso também é pretensão. Na batida do violão, eu danço; não aprendi a cantar, nem talento tenho. Fico pensando nas almas puras por natureza, aquelas que passam pela vida sem a contaminação das mortes diárias. São mais felizes? Bobos dos espertos que se safam no mundo, mas não conhecem o caminho para o céu. Se tiver céu.

A vida, quando tá boa, tem seu ruim. E vice-versa. A gente não sai do lugar com uma parte apenas da alma. De dentro para fora ou de fora para dentro, um lado existe se o outro estiver lá. Por certo que os lados estão no olhar. Na pele não há distinção. O suor é o sangue. Que sabem os outros da gente? O que contamos. Eu conto sempre o seguinte: não sei dizer se estou bem ou se não estou. Nesse caso, não estou mentindo. É só a minha sinceridade desconfiada falando mais alto. Acredite se quiser.

*Texto publicado pela Tribuna do Planalto

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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