Minha amiga, só querem te matar, não se preocupe

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Minha amiga, não se preocupe, querem te matar, apenas isso. Mas a maldade, por si só, não vinga. E somos mais regando a bondade no seu coração. Estamos juntos. Veja aí, estamos inclusive amontoados, arreda um pouquinho senão o carinho sobe no teu colo e não sai mais. Esse carinho…

Minha queridíssima amiga, corta na raiz o lastro da maledicência, arranca sem dó nem piedade a erva daninha que está em você e que você cultiva as vezes sem perceber, pensando que é boldo. Deixa crescer lá bem fora de sua bênção a cruel realidade de quem lhe deseja a única coisa que produz em profusão.

Olha como o sol tá forte, a cidade tá agitada e este sono não nos atrapalha a acreditar que não há melhor lugar no mundo pra se viver. Não há melhor gente na face da Terra pra gastar umas horas de risadas, e repara como seu riso é estarrecedor: ele abala as estruturas de tão gostoso que é de ver e de conviver.

Larga pra lá esse troço fedido, como as crianças dizem, porque as crianças sabem que em troço fedido não se mete o dedão. Não, não ponha na boca… ufa, ainda bem que você só estava brincando, que já entendeu que não há motivo pra chorar senão com a chuva, e respirar senão com a vida entrando e saindo em total liberdade de ser, em nós.

Minha amiga, estive agora conversando com outra amiga, que falou com outra amiga, que conversou com outro amigo, que trocou figurinhas com outros amigos e amigas, que estão de ouvido em pé pra ouvir sua voz rouca e alegre e brava – brava de brava pessoa, e não de pessoa brava. Porque você só tem de brava a brabeza do querer, do tanto querer bem que chega a doer de bom.

Amiga, amiga… essa angústia nossa de cada dia, essa ansiedade que nos desafia quando teimamos em ser quem somos, essa contagiante harmonia que é nosso caos sentimental, tudo isso faz barreira e levanta bandeira e nos coloca à frente pra dizer que a guerra não somos nós, mas que se querem guerra, não sou eu, somos todo, todos nós – entendeu?

Que é que te mate se não o nosso amor, e mata assim, matando com plantio de mais árvores, sem desmatar um centímetro de clareza e de vontade de estar juntos, lado a lado, para as intempéries que vierem, contra os invisíveis serem desumanos que habitam e se coabitam nas profundezas dos lodos dos infernos e dos coices das mulas mal-assombradas.

Confesso que vivo triste com as tristezas naturais da vida, mas tenho raiva mesmo é de quem me tira a poesia das ervas daninhas e dos infernos dos outros, porque tudo isso poderia ser amor. Tudo isso é amor. Ante estes inimigos, não titubeemos. Mas, no mais, e diante de comezinhas plantinhas do mal que te aporrinham e ameaçam levantando gravetinhos e trapinhos com mensagenzinhas inúteis de guerra ou morte, convenhamos: um risinho resolve; uma galhofinha sacode.

Minha amiga, vamos ali tomar um sorvete enquanto eles vão tomar na rebimboca da parafuseta? Mas você paga, que eu gastei meu miúdo salarinho no chumbo miúdo da inativez do salafrário que o merecer. Ah, e cuidado com fogo amigo que quer ajudar e, em vez de produzir chama, solta fogo feito bala perdida. Minha amiga…

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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