O centrão é o povo no poder

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Outro dia vi uma pessoa no Twitter cobrando Ciro Gomes e João Doria sobre o que fariam, caso as urnas dessem a um deles a Presidência da República, com o centrão no Congresso Nacional. Se fariam o mesmo que Lula fez, compondo e hibernando, ou se seguiriam Dilma, não negociando e sofrendo impeachment, ou se normalizariam a relação de interesses mútuos e infinitos feito Bolsonaro.

A questão é: e você, cidadão eleitor, o que fez lá atrás, o que está fazendo agora e o que pretende fazer nas eleições do ano que vem com o centrão nosso de todos os dias, hoje e sempre, amém? Porque só existe centrão porque alguém elege os seus integrantes. São todos deputados legitimamente votados e vitoriosos como resultado da vontade do povo. Povo que decide votar nos melhores, e que não aceita corrupção nas campanhas e muito menos corrupção em troca de apoio. Ou será que não?

O Congresso, alguém já disse, é o espelho da sociedade. Como não (se) reconhecer? Fico pensando no eleitor e que não apoia deputado negociar seu voto em troca de qualquer coisa. Tem razão. Como tem razão o deputado do centrão que diz que faz isso porque tem eleitor que vende o voto e está pronto para se calar sobre qualquer malfeito seu desde que seu filho, sua esposa/marido ou um outro parente consiga aquele cargo lá em Brasília no gabinete. E isso sem sair do seu Estado.

Penso também no senso de justiça dos que entendem que deputado tem que levar ponte, asfalto, colégio, essas coisas para seu município, sabendo que isso só se consegue com negociações de apoio e da alma em Brasília, sabendo e aceitando isso quando abobrinha chega, porém mesmo assim vai para o Facebook se indignar com o centrão que negociou tudo com Bolsonaro, inclusive a mãe, e que fez isso condenando a esquerda, os comunistas, a centro-direita não alinhada com eles e o escambau. Porque uma coisa é quando os adversários negociam: aí é negociata e roubalheira; outra é quando eles negociam. Aí é negociata abençoada, roubalheira do bem? Deus seja louvado.

Esse jabuti chamado centrão – e outros tais eleitos – tem mão certa que o colocou lá: o voto. Transferir culpa não é solução. É só esperteza mesmo. O povo escolhe o que quer. Talvez seja hora de outra coisa: o povo se olhar no espelho para decidir qual imagem e semelhança quer ver refletida. Entender-se e entender o centrão antes de atirar a primeira pedra. Saber se é um mal necessário ou um bem com o imponderável jeitinho brasileiro.

*Publicado primeiramente em Goiás Notícia.

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