O Goiás Esporte Clube era uma vez

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Era uma vez um Goiás Esporte Clube que não tinha rival na Capital. Grande, majestoso, vencedor. Só ele rimava com a vitória em todo seu esplendor e glória. Vila Nova era inhambu na capanga, três pontos cada vez, toda vez. Atlético era um time de velhos torcedores, só lembrança e saudade. Goiânia? Goiânia era outras eras, sem vez. E agora? Agora, o Goiás é o freguês, dos um, dois, três.

Jornalista há mais de 30 anos, nunca cobri esporte (nunca ousei tanto). Torcedor há mais de 50, nunca vi coisa com coisa igual. O meu Goiás, aquele que tem o ilustre vianopolino Carlos Alberto Santos como ídolo, virou isso que estamos vendo. Lembro daqueles times de doutor montados no interior, que tinham camisa nova e passada, mais chuteira reluzente e ônibus pra jogar na roça, de onde voltavam cabisbaixos e oprimidos pela garra e coragem dos peões pra quem jogo bonito é jogo não perdido, então bola pro mato que o jogo é de campeonato.

O Goiás não é mais o mesmo faz tempo. O pior nem é isso. É ver que, mesmo todo mundo vendo o que o time virou, entra ano e sai ano e a coisa só piora. A maior torcida já perdeu gerações de novos torcedores para o Atlético, para o Vila continua perdendo e agora tudo indica que vai competir com o Goiânia pra ver quem sobrevive nas arquibancadas. O Goiás desaprendeu a jogar bola com os pés; só joga com o nariz erguido e chutando o vento que levou embora a paixão e o amor à camisa.

O Goiás só disputa com chances o comando de si próprio, com diretoria limpinha e cheirosa. E não seria este o seu maior rival hoje, a distância dos gramados e das periferias e o apego ao patrimônio? O Goiás perdendo de hoje é herdeiro perdulário do Goiás vencedor de ontem. Não há mais visão periféricas de jogo que o sustente, nem graça no placar ou fonte de craques jorrando. O que sobra é decepção; o que falta é coração. O Goiás vive em mim, mas morreu na Serrinha e só passa bem quem vive de seu velório.

Quero meu Goiás de volta não. Tô dizendo isso não. A história nos salva e nos permite sempre uma segunda chance. Quero meu Goiás Esporte Clube presente (e) no meu futuro. O Goiás, Goiás, Goiás… Ainda bem que me sobra o Monte Cristo pra torcer até a ressurreição esmeraldina. Só o Monte Cristo salva!

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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