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Nem sempre temos um coração bom no fundo de toda maldade que carregamos. O coração muda de lado. A maldade não se altera diante da dor. O amor move o sentimento. O amor à vida. O amor à morte. O amor intenso, que fecha os olhos ou abre os olhos, ou olha e não chora, não deixa de ver, apenas olha sem se conter. O amor ergue estátuas de sal na areia.

Nem todo dia tem dia e noite pra contar. Está ouvindo? É o capim dançando suavemente com o sopro da chuva, que vem antes com a chuva na distância da imaginação. (Não seria na lembrança?). Não diga bom dia, não anuncie a noite antes da hora, logo ao amanhecer. Deixe que descanse, deixe saudade para o tempo que não tiver mais jeito, que não for somente aquele que existiu mais do que na realidade.

Nem sei o que pensar do meu corpo, que me ecoa cansaço sem explicar o que tem sob a pele. Meu corpo é espírito santo que se debate com meu espírito santo, que se queda inerte, muitas vezes, sem saber o quê. Quando caminho por trilhas, me deparo comigo andando por inteiro na estrada. Vamos de encontro. Não há jardins nas beiras, nem rodamoinhos sem eu dentro.

Não sei traduzir quando meu coração bate. O que tenho a dizer do que não consigo entender e muito menos faço compreender? As gotas de sangue são o reparo do desespero da vontade da fé que ouço combater. Está por dentro, velando, ou está por fora, escorrendo? Eu pouco tenho de hoje para amanhã. Amanhã não passa de passagem.

* Texto publicado pela Tribuna do Planalto

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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