Sandro Mabel e o dilema de ser ou não ser candidato em Goiânia

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Você viu a entrevista do Sandro Mabel ao Diário de Goiás?

Se não viu, sugiro que veja. Em certo momento, ele traça o perfil do prefeito que a população quer eleger. Só aí já vale a curtida. Mas atente-se aos detalhes. Como ele sorri e enche o peito quando fala, para então concluir: o perfil é exatamente o seu.

Em resumo, o goianiense quer um bom gestor. E ele é. Empresário de sucesso, conhecido e respeitado na Capital e na vizinha Aparecida – e no País, claro -, ex-deputado federal que circulava no alto clero, presidente de uma Fieg que cresceu em investimentos e relevância sob seu comando.

Mabel é alguém que inspira confiança, tem trânsito em Brasília e fora do Brasil, que traz no seu rastro perspectiva de industrialização, geração de emprego, empreendedorismo e outras marcas de ação concreta que apontam para o sucesso. Qual município não se beneficiaria com um nome assim?

Acontece que eleitor não é racional. O voto não é. Quer dizer que mesmo com todas essas e até outras virtudes uma pessoa não garante vitória. Mabel, no entanto, sabe que seu currículo é sólido e que ele conhece os caminhos para driblar as críticas dos eleitores que se traem pela emoção e outros estímulos mais elementares, como dinheiro e benesses.

Mabel é um político pragmático, tem recursos para agir como entende e visão para fugir do amadorismo de outros empresários que veem o marketing e a comunicação, por exemplo, como algo menor, que pode ser tocado inclusive por amigos e parentes. Mabel é empresário de sucesso e político de vitórias.

Ressalto esses pontos para chamar atenção para o entusiasmo com que ele vai e volta no tema do perfil que a população quer e de como tudo se encaixa nele. Existe alegria na sua fala. Assim como vi sinceridade, e você pode confirmar ou não, quando ele diz que quer curtir mais a vida e que uma candidatura agora jogaria para segundo plano essa decisão que já teria sido tomada por ele.

Milionário, sem nada mais a provar, Mabel pode muito bem escolher seu bem-estar, curtir seu casamento. Ele, razoável dizer, que pessoalmente não tem mais problemas materiais de sobrevivência, muito pelo contrário, pode muito bem escolher viver sem ter que lidar com problemas dos outros, de uma população cheia de expectativa, uma cidade que clama por atenção e dedicação.

Mabel pondera na entrevista que se conhece, e que quando se dedica a algo, vai fundo, o que vem a ser uma solução para Goiânia, mas uma dificuldade para a vida em família. Ele está sinceramente dividido. Dos dois lados o coração pulsa, com a razão tentando convencê-lo de que não dá para conciliar as duas coisas. Veja como ele argumenta bem para dizer que não será candidato, mas não consegue botar o ponto final antes de um senão que significa uma janela aberta para, quem sabe, mudar de ideia.

Muitos são os que dão força ao Mabel candidato. Nos restaurantes, por exemplo, ele conta. E conta com satisfação, com o tesão dos desafiados no ponto G da vida: o ego. Mabel vê confiança, torcida a favor, ele mesmo torcendo por sua versão prefeito. Até considera uma reeleição, em virtude que inevitavelmente fará um bom trabalho, como diz. A decisão final de Mabel cabe a Mabel. Ninguém tem o direito de decidir por ele, e acho que ele nem permitiria.

Eu lembro de uma frase de meu pai, que não sei se ajuda ou atrapalha. Mas é carregada de verdade e sabedoria: “mais vale um caminhão de abóbora do que um gosto contrariado”. Ah, uma última coisa. Se depender de minha mãe, que nem vota em Goiânia, Mabel será candidato. Quando primeira-dama em São Miguel do Passa Quatro, o Natal das crianças da cidade era alegrado por um caminhão de bolachas Mabel, que ela ganhava e com o qual fazia a festa. Ela não esquece.

*Texto publicado pelo Diário de Goiás

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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