Urgente: quebrar tijolos para vencer a direita extrema

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Vassil Oliveira

Estou quebrando tijolos e baixando paredes na mente. Tenho minhas razões, minhas convicções e meu jeito de olhar os canteiros de rosas e o pomar do quintal. Mas trabalho com comunicação, preciso compreender esses mecanismos do caos, ser disruptivo (aprendi essa agora), coisa e tal, para vencê-lo. Sim, porque só reagir e indignar-se com o modus operandi do bolsonarismo e da direita extrema não vai derrotá-los – vai, ao contrário, alimentá-los.

E antes que alguém ache que a tese e a minha disposição não são novas, já me adianto em dizer que, sim, é fato. A diferença agora é que está mais claro o jogo do inimigo, portanto mais visível sua estratégia. Jogo, eu disse. Porque política é jogo, sempre. A nossa vida está em jogo. E este é o ponto: à parte o sentimento e a preocupação que devemos ter com as consequências dessa milícia subliminar, que mata no inconsciente, precisamos ter em mente que jogo é jogo, verdade é verdade.

O jogo bruto da direita bruta não é convencer nem se impor em pensamento, e sim destruir o outro, a outra visão de mundo e de alma. Jesus Cristo, por exemplo, é um adversário para eles, já que um dos pilares da ação desse grupo é matar ou morrer pela Pátria, Família e Deus. Como Jesus não prega o assassinato, e por ser uma fonte de fé, o que eles fazem? Defendem o Jesus como eles querem que Jesus seja, cheio de amor por suas vidas e pronto para cancelar quem se puser no caminho de sua marcha para o Poder.

O jogo é esse, de dinheiro e poder. Nada diferente do jogo que existe. E não se trata aqui de tentar ganhar pelo nivelamento por baixo, pela miudeza e pela torpeza. Não. Desmascarar a moral e cívica intenção desses militantes da hipocrisia comportamental é passo decisivo em direção ao que interessa como pressuposto: não estão em busca de um mundo melhor, mais humano e cheio de amor; estão em luta por um mundo à sua vontade e interesses. Querem que tudo mude para ficar exatamente como lhes agrada e apetece. E como querem tudo, não nos querem juntos.

Não querem um mundo dialético, um mundo de conversa entre divergentes. Não aceitam divergentes. Não toleram diferenças. Não admitem senão os similares. São cachos de bananas filipes. Um passo trocado é, em sua filosofia, um passo em falso da humanidade, uma espinha a ser espremida no rosto de Deus. Não. Não suspiram diante da fome nas periferias, não ficam arrepiados com a tristeza das vítimas de guerra, nem se solidarizam com os desvalidos. Simplesmente rezam, oram, pedem a Deus que cuide de seu interior, porque o exterior é problema de cada um, está fora de questão. O espírito que carregam se alimenta de si mesmo, não é compatível com carga e recarga de empatia.

E estão assim não é porque do lado de cá somos melhores, ou porque são assim e ponto. Estão assim porque entraram no jogo. Fazem parte da engrenagem que distorce, desinforma, desqualifica, desobriga da lei e ordem, são integrantes do estúpido malabarismo bíblico que não prega amor com amor se paga, ou que deve-se amar o próximo como a si mesmo. São a linha de frente do fim justificando os meios que salva pelos seus critérios, e não os do Sermão da Montanha, são as almas bombas que vão na frente para abrir caminho aos líderes de manada em causa própria.

Vencer o jogo é a única forma de vencer os arautos da política do caos. Aqueles que defendem valores universais descritos em outros livros de outros deuses literais: fascismo, terrorismo, totalitarismo, fanatismo, falta de empatia… Vencer esses filhos da pusilânime ditadura da opinião própria implantada por outros em seu interior. Vencer essa nova gente de chip, desalmados. Para quem tudo ou nada é redundância. Tudo ou nada contra, pois, que seja resoluta militância pela vida, pelo futuro, por uma chance de deixar um rastro no tempo, um legado, ainda que viver seja tão fugaz. Porque aí está a aura divina de homens e mulheres espirituais segundo a Palavra: viver por si, se por todos.

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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