Veia aberta

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Sinto falta de conversar com quem já não posso, por razões diversas.

Amigos viajam, pegam voo e deixam esse sentimento gostoso de saudade coçando a memória.

Dividir pensamentos, ouvir nada com nada, falar do fundo do coração são coisas que não fazemos toda hora, com qualquer pessoa.

Sinto falta de uma cumplicidade fervorosa, daquelas que vão lá na alma – ou seria o contrário, daquelas que vem lá da alma? Não sei. Coisa espiritual, isso, sim.

Amigos tão inesgotáveis de compreensão que bastariam ler isto aqui, sem nome nem identidade, para saber que estamos, do nosso jeito, conversando.

Pois bem. Digo que muita coisa muda, e sempre buscamos que seja pra melhor.

Mas pouco muda de verdade na fonte.

Água de mina não acaba, a não ser que seja arrancada por descuido, a paisagem desapareça, a mata em volta se evapore.

De resto, meu cansaço permanece aqui, meus ouvidos seguem atentos, meus olhos estão vendo a ausência com sua imagem bonita, porque não é falta, é apenas o suspiro da espera, o reflexo da esperança de reencontrar quem está vindo, vai chegar a qualquer momento.

Olha lá.

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