Eleitor não vota em vice. O resto é conversa

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Escolha de vice anda mais importante que escolha do candidato a prefeito. Loucura, né? Mas é real. As discussões em torno do companheiro de chapa do titular têm ocupado um espaço que só a falta de fatos novos nas pré-campanhas ou a pura falta de noção explicam.

Dizer que Goiânia tem trauma com escolha de seus vices e só isso já justificaria a agonia dos que veem mais importância no vice do que no prefeito é alimentar mitos. Vice sempre é um parto nas pré-campanhas e depois um risco nágua até as urnas, a não ser que vire notícia negativa por algo normalmente extemporâneo.

Ou seja: sua importância está na composição da chapa, na formatação das alianças. Ninguém escolhe vice avaliando sua capacidade como gestor, até porque isso passaria a ser um problema na relação com aquele que de fato está destinado a ser o prefeito. Vice é pra participar sem participar. E, na prática, um reserva.

O atual prefeito da Capital foi escolhido nesses termos, porque o partido era importante e chegou ao nome dele por exclusão, e não por determinação. E nenhum juízo de valor aqui sobre sua capacidade. Isso o povo que julgue. E aí veio a mão do destino: ele assumiu por fatalidade, a morte de Maguito Vilela, o que puxou os votos de verdade e foi eleito.

Antes, em 2016, outro vice, o petista Paulo Garcia, assumiu após renúncia de Iris, que foi disputar o governo. Movimento político previsto. Iris dava todos os sinais de que faria isso. Vice que assumiu por mais de dois anos, Paulo manteve a gestão nos trilhos nesse período. Mandou bem. Iris perdeu, mas ele foi reeleito com apoio crucial de Iris.

Os problemas de Paulo na prefeitura vieram depois, quando foi eleito e o vice era outro, Agenor Mariano, que rompeu com ele. Uma outra história. O mais é retórica eleitoral. Não há qualquer determinismo ou sina maluca contra vices. Há desdobramentos políticos de ações das quais participam, porém, nem sempre são os protagonistas. Ser ou não ser bom prefeito está muito além de uma maldição ou um discurso maldito.

O que vemos agora: ninguém está escolhendo vice, não só em Goiânia, porque pode morrer e então precisa levar alguém que será bom administrador. Que falácia! As costuras são as de sempre. Os mesmos motivos. E Goiânia ou qualquer outra cidade correrá o mesmo risco de toda eleição: eleger um e ser governado por outro.

Mas também este: escolher o prefeito e a cidade ser mal governada pelo titular. Sim: o risco de que o titular da chapa seja pior governante que o vice que o acompanha é o mesmo. Quem garante que aquele que se diz melhor não seja pior? Melhor, no caso, é que o eleitor atente para quem está elegendo diretamente. A chapa toda. O combo. Isso de vice não é o que determina o futuro promissor ou frustrante.

Sem falar que essas pesquisas que dão muito peso aos vices ou precisam ser refeitas ou de alguém que realmente saibam lê-las. Nem sempre o literal é a mensagem real. No fim, tudo é política. Eleitor não vota em vice. Nunca votou. Por que votaria agora?

*Texto publicado pela Tribuna do Planalto

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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