Adriana, Gayer, Mabel e Vanderlan: a cara da eleição em Goiânia

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A correria dos últimos dias na política goiana tem o condão de acomodação de forças num dos momentos cruciais da disputa. Mas não define o jogo. A formação de chapas com candidatos a vereador e as filiações partidárias de prováveis candidatos a prefeito esclarecem rumos de alguns grupos e nomes, que vão agora abrir a fase de conversações para as alianças de campanha. É aí que veremos o tabuleiro realmente armado e as chances reais de cada um ou cada grupo.

Vanderlan Cardoso (PSD) parece ter sido o que mais perdeu nas conversas e amarrações. Queria o empresário Sandro Mabel na vice, acabou por acelerar o processo que o transformou em cabeça de chapa do grupo do governador Ronaldo Caiado (União Brasil). Em uma semana, Mabel saiu da aposentadoria e do Republicanos para se filiar ao UB e surgir como tábua de salvação para uma base governista sem nome para lançar. Ele cumpre o perfil determinado pelo governador à risca. E tem força política própria.

O que mais Vanderlan perdeu foi talvez o aliado Mabel, que sempre foi um companheiro em projetos políticos. Foi incentivado por Mabel que ele entrou para a política, como candidato a prefeito de Senador Canedo. Vanderlan parece hoje sem saída. Tem o governo contra ele em Goiânia e em Canedo, onde lançou como candidata a prefeita sua esposa, Izaura Cardoso (PSD), contra o prefeito Fernando Pelozzo, do partido de Caiado. De quebra, tanto esnobou o PT que pode ter perdido a chance de uma composição.

Mas isso tudo é em tese. Porque, na prática, a eleição não chegou ao grande público, e as chances de seu nome sair do grupo de liderança nas pesquisas, de imediato, são mínimas. Pesquisa quantitativa neste momento tem muito mais a ver com recall, lembrança, e ele está muito mais presente na memória do eleitor que Mabel, por exemplo. A candidatura de Mabel tem potencial muito forte, pelo que aglutina e representa, mas não quer dizer que ele já ganhou. E Mabel, igualmente em tese – tudo está fluido e indeterminado -, pode decolar, mas pode ‘embolachar’ no chão.

Vanderlan continua no jogo, como Adriana Accorsi segue no grupo de liderança. Adriana pouco se mexeu nos últimos dias, porém lucrou. Apesar de a base governista comemorar um candidato seu, o que é também lucro para o governo, Vanderlan não conseguiu acumular forças – aumentando seu cacife – e o chamado bolsonarismo e suas aproximações eleitorais passam a ter três candidatos: Mabel, Vanderlan e Gustavo Gayer (PL).

Gayer, inclusive, chegou a ser colocado fora da disputa, e teve o nome reforçado por Bolsonaro, que esteve em Goiânia no meio da semana. Há uma corrida, no entanto, pelo PL. Vanderlan e Mabel disputam o partido. Pode ocorrer mudanças de curso nos próximos dias. E é aí que temos a nova fase da pré-campanha, a de negociações para formação de alianças. A diferença da anterior é os grupos e partidos terem nomes a priori definidos como candidatos, e vão negociar a partir daí.

A habilidade e determinação do governador Ronaldo Caiado serão decisivas. Assim como o vice-governador e presidente do MDB com sua estrutura, indicando o vice de Mabel ou aceitando ficar fora da chapa majoritária. Essa soma de capital político – Caiado, Daniel e o próprio – é que definirá o futuro de Mabel. Com ou sem Gayer? Com ou sem Vanderlan, com quem há vontade ainda de conversação? E definirá o futuro de Vanderlan: com ou sem Mabel definitivamente? Com ou sem acordo com Adriana? Com ou sem candidatura da esposa em Senador Canedo?

Adriana Accorsi está em rumo definido. O que ela mais precisa no momento é outra coisa: volume de pré-campanha, que mostre que ela segue firme e fortalecida no jogo. Isso quer dizer articulação, conversação, movimentação nas ruas e redes. Nesta direção. Nada que não venha fazendo, embora em escala acanhada. Já Gayer tem tudo para não fazer nada, como não vem fazendo. Essa é sua pré-campanha e dá certo, porque o bolsonarismo funciona de modo próprio. O que muda: o assédio para desistir e apoiar Vanderlan ou Mabel. No quesito desistir, o que mais se ouve de apoiadores do PL: nem precisa de muito esforço.

A eleição gira em torno desses nomes, hoje. Um quinto, Rogério Cruz, é visto como fora do jogo principal. No mais, o que temos: Gustavo Mendanha e Bruno Peixoto tentando emplacar as esposas na vice de Mabel, e mais um ou outro nome procurando um lugar ao sol.

*Texto publicado pela Tribuna do Planalto.

Vassil Oliveira
Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação Pública de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).
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